Habilidades do Anfitrião

By 29/01/2016 Uncategorized

Com a formação da CoCriar a caminho, nos colocamos a refletir sobre o papel do facilitador. Em que medida suas competências e habilidades ajudam grupos a alcançarem resultados importantes?

Ou, em outras palavras: se os resultados ficam aquém do esperado, o que isto revela sobre as oportunidades de desenvolvimento do próprio facilitador?

É claro que esta resposta, como qualquer outra, é altamente dependente do sistema de crenças daquele que responde. Frente a um mal resultado, alguns acharão que faltou intervenção e direcionamento por parte do facilitador. Outros, que faltou subsidiar melhor o grupo com informações.

 Um terceiro grupo tenderá a refletir sobre o que faltou prestar atenção, no momento do entendimento do contexto ou da observação das interações do grupo, para podermos criar um espaço de conversa mais adequado, melhores perguntas norteadoras ou um fluxo de conversas capaz de gerar uma compreensão coletiva mais apurada. Neste último grupo nos incluímos.

Explicitada esta nossa visão sobre os fatores que compõem uma facilitação de qualidade, vamos compartilhar um pouco sobre os tipos de investimento em cursos que nós, da CoCriar, temos feito nos últimos tempos para nosso próprio desenvolvimento. Eles podem ser resumidos em três eixos: princípios de trabalho, habilidades de observação e novas metodologias.

Processos que fortaleçam a atuação dentro dos princípios de trabalho

Trabalhamos com formações que desenvolvem a confiança no grupo e a convicção de que este, e não o facilitador, possui as melhores respostas. Isto porque em nossa cultura, muito voltada para o comando, para o controle, para os resultados imediatos e para as decisões democráticas por maioria simples​, não se aproveita a inteligência coletiva​.​

Existem formações e vivências que quebram alguns desses paradigmas e valem a pena ser experimentados como um ponto de partida, mas a jornada pessoal certamente continua depois desses estímulos iniciais.

Nesse sentido, é uma boa ideia fazer parte de uma comunidade de prática ou mesmo ter um grupo de facilitadores com experiência por perto, para fortalecer o aprendiz (todos nós, em última análise) nessa caminhada.

Aprimoramento das capacidades de observação, de leitura de contexto ou mesmo de conexão com sua própria intuição

Prestar atenção é talvez a tarefa mais importante para um facilitador anfitrião.

Antes, durante e depois da facilitação, há sinais externos (e também internos: sensações, desconfortos, inquietações) que podem oferecer informações valiosas para ajustes na conduta do facilitador, na preparação prévia ou mesmo nos passos seguintes do processo.

Conhecimento sobre metodologias que compartilham de princípios semelhantes

Trata-se de enriquecer o repertório de estratégias, de forma a contar com um leque de abordagens para lidar com os diversos contextos e emergentes, a serviço do propósito e do desenvolvimento das pessoas e grupos.

Para além da teoria

Há muitos aspectos do trabalho de um facilitador que são fruto de sua própria marca pessoal e contribuição única no mundo.

Outros podem até ser comentados teoricamente, mas só serão consolidadas com a prática, com erros e acertos transformados em reflexão.

Programas que ofereçam oportunidades de vivências e aplicações práticas para planejamento e processamento conjunto potencializam o aprendizado de aspectos como estes.

Participar de programas estruturados tem seu papel, mas nunca serão em si suficientes para formar um bom facilitador. A prática, os quilômetros rodados, fazem toda a diferença na incorporação (palavra que tem na sua etimologia “trazer para o corpo”) dessa atividade que está mais para arte do que para técnica.

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